Manhattan – Eu não podia, eu não sabia?

 

Manhattan – Eu não podia, eu não sabia? 

por Wilson Custódio Filho

Figura 1 – Detonação de bomba ‘Little Boy’ em Hiroshima, no Japão, em 1945
Fonte: NEXO JORNAL (2018)


Poema

Por Wilson Custódio Filho

Sopra o vento
meu último invento
voando lágrimas tristes
sobre um mundo mudo
onde o silêncio profundo
engasga canhões,
torpedeia navios,
destrói muralhas
e semeia o pó.

Vem com o vento o tempo,
numa simbiose perfeita,
juntando a traça e o lixo
numa injusta guerrilha,
onde o justo se assusta,
pois não existe justiça
entre a vida e a morte.

As areias no “Golfo”
retrata o mundo,
imagem perfeita
da mente humana...
Seu torpor,
sua frieza,
agora na mesa
joga as cartas mais sujas.
Onde “Judas” se encontram,
há calvários e cruzes.

Sopra o vento
sobre as areias quentes
dos dementes de guerra.
Só pro vento,
minhas lágrimas de culpa:
foi meu último invento,
uma bomba atômica.

Baixa a fumaça,
corpos no chão.

No calar das metralhas,
arrastam muralhas
velhos doentes,
filhos sem mentes,
fome e miséria.

Há quanto tempo passou...
A segunda overdose exterminou os pássaros,
alterou o ambiente,
e mostrou aos “Senhores”
os horrores da guerra.

Sopra o vento lembranças
de uma caixa metálica,
onde armazenei, em “Manhattan”,
assassinos atômicos,
que, horas depois,
loucos suicidas
os atirariam em “Hiroshima”.

Eu não queria!
Eu não sabia!
Eu não podia!...
Mas, como soldados,
cientistas também são mandados.

Sopra vento!
Só pro vento!
Que leve meu lamento,
pois meu último invento
foi uma bomba atômica.



**********


Imagem em Link

NEXO JORNAL. Detonação de bomba ‘Little Boy’ em Hiroshima, no Japão, em 1945. 1945. Fotografia. São Paulo: Nexo Jornal, 13 abr. 2018. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/04/13/o-que-aconteceria-se-uma-bomba-nuclear-caisse-na-sua-cidade. Acesso em: 25 maio 2025.



 

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