O Mundo enlouqueceu - e nós com ele.

 

 O mundo enlouqueceu — e nós com ele.

por Wilson Custódio Filho

 

   

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Eles estão loucos.

Não é exagero, nem metáfora. É constatação.

E o mais assustador: nós enlouquecemos com eles.

 

A empatia, essa virtude tão falada e tão esquecida,

parece ter se escondido em algum canto escuro da alma humana.

Vivemos tempos em que o absurdo é tratado como normal,

em que a barbárie é aplaudida,

e o silêncio diante do mal se tornou regra.

 

Basta ouvir o que dizem.

Observar os gestos, as expressões, os movimentos.

Há algo de profundamente errado —

e, ainda assim, seguimos apáticos,

mergulhados numa obsessão anestésica:

“tudo passa, tudo passará

mas nada fica

nada ficará”

 

Fica, sim!

Corpos e almas dilaceradas,

mutiladas.

Fica, sim!

Estigmas cravados

no espírito.

 

Mas não passa.

A dor estranha de olhar para o mundo e vê-lo mudo,

calado diante do escárnio dos malfeitores,

essa dor permanece.

 

Quantos horrores endossados pela sociedade?

Quantos crimes abafados pelo conforto da indiferença?

 

Misturamos tudo num mesmo saco.

E dançamos — como um rebanho —

no baile da barbárie.

 

Nem igrejas,

Sinagogas,

Templos,

Centros,

Nada além

Só Deus

 

Que Deus?

 

Talvez o Criador tenha feito deuses demais,

e homens de menos...

 

Anjos e demônios jogam xadrez,

movem os peões.

 

Hipnóticos bajulam

o Rei.

 

Se o mundo está em chamas, não é o fogo que me assusta — é o riso de quem assiste.

Se a empatia morreu, não foi de causas naturais — foi assassinada a sangue frio pela indiferença.

 

Já não basta rezar, marchar ou protestar.

É preciso amar com coragem.

 

Amar é ato subversivo.

E, talvez, a única cura para a insanidade coletiva.

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